sábado, 9 de setembro de 2017

uma necessidade discursiva
apoderando-se de todos y todas
uma necessidade discursiva
também toma conta de mim
ela está sequestrada pela morte instantânea
ela está sequestrada pelo público ausente
uma necessidade discursiva
tomou forma e está encadenada
encadeada
encriptada por uma cadência vil
ela está sequestrada
o carcere é privado
a prisão é uma tela
nada pode com ela
nem mesmo o caderno sozinho
solitário
nem mesmo a ducha morna
sozinha e quente
solitária
nem mesmo a nota de geladeira
sozinha e branca
fria
pouquinho
quase nada
é o que nos diferencia
e esse pouquinho é
muito
pra gente ser só
um
estando muitos
por pouco tempo
o resto é
bobagem
valha-me 
senhor das ideias
com tantas verdades
não suporto mais 
nossas mentiras
mentira!

domingo, 20 de agosto de 2017

esgotado o termo
em um vigoroso aprouch, aprendi.

sabe-se que nas cercanias nada consta, nem mesmo um rosto espremido por soar seriedade.

entre tudo isso,
as fabulas dormem
os discursos cansam
e os gestos dos que tem tudo
mentem.

percorri um pouco mais do espaço
notando o movimento:
cada corpo era um barco
cada boca um engano

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

regressei deixando pra trás rumores de desafetos e gestos atrozes.

sabe quando o sonho é vão?
então!
sobrou certo amor-certo
não que haja arrependimento,

me escapo gostoso só de lembrar.

o lance é outro.

subiu pelas costas um vento sem dono
agitando a marola da vida
subindo a maré.

mostrando que a vida
se cata
é com a verdade que coça
bem de mansinho
numa

então!

se liga
que eu não fujo da raia
nado de braçada
sempre que me rogo
a ser solto
dentro de você

sábado, 27 de maio de 2017

Me quedo entre os não-o-quês da vida e as guerrinhas indizíveis entre girassóis
de manhã acordo com o fel do sonho ébrio que é luta selvagem e cortante
de tarde, na hora do almoço, como sorrisos na fila de espera
ali pelo lanche da tarde, passo a faca no abraço apertado de gente amiga
na penumbra do ocaso peço socorro ao baile-pássaro de quem transita em retorno
na noite me lambo como cão quente de inverno.


Tiago Ferreira
O relevo dos nós em mim causa frisson nos eutros revelados no encontro de meus personagens.
Instantes de Polaroid que aparecem macio, despacito noscorações colhidos em nuvens de cabeceira,
em ecos de becos e bocas costurados pelo prazer de ser o que se quer ser.

domingo, 30 de abril de 2017

dia das mulheres

no dia de hoje só consigo pensar no machismo que me fode a vida e no tanto que ele fez eu ser um idiota com mulheres. não espero aplauso por isso, não espero curtidas por isso. as vezes penso que não é possível existir mais como homem neste mundo. quero conseguir renunciar ao desejo de ter sucesso profissional, quero conseguir renunciar ao medo de ser afetuoso com outros homens, quero renunciar a estupidez, quero conseguir renunciar a prepotência, quero conseguir renunciar a insensibilidade, quero conseguir renunciar ao medo do afeto, quero renunciar a cobrança cobrança social de ser o pior tipo de macho. agradeço a todas as mulheres que me tocaram nesta vida (mãe, irmãs, tias, avó, amigas e namoradas). me envergonho por ter sido um otário em vários momentos. mais uma vez, não espero aplausos, não espero curtidas. é só um depoimento e um expurgo de mim mesmo. só agradeço a mulher que topou criar uma vida comigo: ela me mostrou a vida, me mostrou outra forma de enxergar o mundo, me mostrou outros caminhos. atravessamos dificuldades neste momento, porém, o que mais quero é poder conservar uma amizade por toda a vida com esta mulher. todas estas mulheres são minhas mestras e por muito tempo neguei, escondi isso de mim.
sinto tristeza e vergonha ao ver homens com medo de homens quando entram no banheiro, homens com medo de homens quando conversam, homens com medo de homens quando brigam. homens necessitam se impor de um jeito violento, homens se mostram muito machos por medo de se mostrarem sensíveis para outros homens. sinto raiva quando vejo homens conversando com homens. homens quando se juntam podem ser muito escrotos. mais uma vez. sinto raiva por eu ser tão insensível e medroso em tantos momentos. fodam-se os aplausos!
bom mesmo é poder agradecer, ser agradecido, agradecer homens e mulheres sem haver no fundo raso uma espécie de lastro de qualquer outra coisa que não diga respeito a humanidade de cada pessoa. homens tendem a colocar a frente do diálogo uma camada, poeira, crosta de libido e interesses outros com o intuito de seduzir, emaranhar, envolver. não quero dizer que todo homem faça isso, quero reafirmar que é uma tendência ensinada em casa, nas ruas, nas escolas.
Goiânia [cidade do chão vermelho]:
Salgado - 1,75 reais
Água - 2,00 reais
Três Pães de Queijo - 1,00 real
Barra de Chocolate no ônibus - 1,00 real
Dois abacates por 5 reais
Um litro de Pequi por 8 reais
Um litro de amendoim na casca por 5 reais
duas histórias que me contaram nos ônibus de Goiânia:
1) o filho do sambista Cartola é pastor e vereador no município de Aparecida de Goiânia;
2) uma moça pianista de Vitória da Conquista (BA) é irmã de um rapaz que estudou violão com o Elomar.
e se nos propusessemos a despersonalizar nossos perfis virtuais? a combater a felicidade de mercado, a chacoalhar o retrato, a propagar o desengano...essa seria uma camada enganosa ou em harmonia com o que se sente no séc xxi? essa via aqui parece ser o labirinto do minotauro e ninguém parece ter a força de teseu. há quanto tempo vcs não caminham a pé sem se importar com o navegar, viajantes en linha? a fluidez pós-moderna existe, mas também morre na boca do haitiano que delíra descalço no centro de florianópolis de modo muito objetivo: o governo de santa catarina roubou minha moto, dizia ele com orbita dos olhos afundadas num pântano. essa vida multi-informacional é um jogo pra nos enganar. estamos informados, porém, o contato com o oxigênio lá de fora é que incendeia os corações. o resto é produção de anestesia por excesso e de sorriso pelo triste. vou ali encontrar os meus. bom dia.
O DELÍRIO DE UM CONSTRUTOR
Olha só o que ouvi hoje de um construtor que me deu carona. O tipo me disse que vai sair do Brasil. Aqui não dá mais pra ele. Toda essa roubalheira é viciosa e é impossível fazer com que políticos larguem a faca e o queijo que seguram na mão. Impossível! Este senhor disse que tem um plano: vai mudar para São Thomé e Príncipe, ilha situada em África que esteve sob domínio português até 1970, data da independência daquele conjunto de ilhas que forma um país. Quais os benefícios destacados por ele? Primeiro, é um paraíso tropical situado na linha do equador que recebe milhares e milhares de europeus. No entanto, a infra-estrutura ainda é deficitária, no que ele está armando um super-plano de mudar-se pra lá para cultivar cacau e exportar chocolate pro mundo todo, engarrafar água de coco para mandar pra europa e cultivar maconha. Isso mesmo, Maconha! De olho na tendência mundial, espera convencer o governo da ilha de lá a legalizar a paradinha ao mostrar os lucros holandeses com a ervinha do capeta. kkkkk! Este mesmo senhor de bem disse que irá levar um planejamento urbano muito bom para lá, diga-se de passagem, sustentável e ecológico. kkkkkkk. aí vem a bomba! Sr. Fernando (nome dele) contou que o único lugar que deu certo em Florianópolis é Jurerê Internacional e que o foda é lidar com os corruptos do IBAMA, da FATMA e de um outro órgão que não me lembro o nome. O doutor aí tem um terreno de 40 milhões de reais naquele lugar e não teve alvará para construir um big condomínio ecológico por conta de um "pássaro de merda" que tá em extinção no mundo todo (essas foram as palavras dele). O tal pássaro é o cantador de nome Pixoxó. Depois de contratar um grande escritório que avalia impactos ambientais para defendê-lo, recebeu outra negativa do IBAMA devido a presença de bromélias raras no terreno. (bem feito, digo rindo por dentre enquanto ouço!!!!). Só que aí vem uma outra treta: Sr. Fernando falou que o mesmo diretor que o impediu de construir no terrenão de 40 milhão foi preso meses depois por venda de licenças para grandes empresas pescadoras de tainha. Que nó é esse, meu povo?! Delírios de um construtor em crisa!!!!!