domingo, 20 de agosto de 2017

esgotado o termo
em um vigoroso aprouch, aprendi.

sabe-se que nas cercanias nada consta, nem mesmo um rosto espremido por soar seriedade.

entre tudo isso,
as fabulas dormem
os discursos cansam
e os gestos dos que tem tudo
mentem.

recorri um pouco mais do espaço
notando o movimento:
cada corpo era um barco
cada boca um engano

domingo, 13 de agosto de 2017

Nossos corpos - Denise Levertov
Nossos corpos, ainda novos sob
a ansiedade gravada de nossas
caras, e inocentemente
mais expressivos que caras:
mamilos, umbigo, e pentelho
fazem de qualquer forma um
tipo de cara: ou levando
as sombras redondas ao
seio, traseiro, saco,
a dobrinha da minha barriga, o
oco da sua
virilha, como uma constelação,
como se inclina da terra ao
amanhecer num gesto de
brincadeira e
sábia compaixão-
nada como isto
vem a passar
em olhos ou bocas
abatidas.
                  Eu tenho
uma linha ou ranhura que amo
percorre
meu corpo do esterno
à cintura. Fala de
ansiedade, de
distância.
                  As suas longas costas,
a cor da areia e
como os ossos se expõem, diz
que céu após o pôr-do-sol
quase branco
sobre a profunda floresta à qual
as gralhas se dirigem, diz.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

regressei deixando pra trás rumores de desafetos e gestos atrozes.

sabe quando o sonho é vão?
então!
sobrou certo amor-certo
não que haja arrependimento,

me escapo gostoso só de lembrar.

o lance é outro.

subiu pelas costas um vento sem dono
agitando a marola da vida
subindo a maré.

mostrando que a vida
se cata
é com a verdade que coça
bem de mansinho
numa

então!

se liga
que eu não fujo da raia
nado de braçada
sempre que me rogo
a ser solto
dentro de você

segunda-feira, 24 de julho de 2017

reitera-te
todos os dias de que esta fantasia
não te cabe mais.
as costuras estão puídas
e a tua verdade nos vale
melhor que teu disfarce

esta roupa já te mostra os fundos
e teu gesto não te esconde mais
cala-te
engole o desdém
e vocifera quando no injustiçamento
te quiserem açoitar
dignidade é ser-se
ainda que te digam não
ainda que tarde

sábado, 27 de maio de 2017

Me quedo entre os não-o-quês da vida e as guerrinhas indizíveis entre girassóis
de manhã acordo com o fel do sonho ébrio que é luta selvagem e cortante
de tarde, na hora do almoço, como sorrisos na fila de espera
ali pelo lanche da tarde, passo a faca no abraço apertado de gente amiga
na penumbra do ocaso peço socorro ao baile-pássaro de quem transita em retorno
na noite me lambo como cão quente de inverno.


Tiago Ferreira
O relevo dos nós em mim causa frisson nos eutros revelados no encontro de meus personagens.
Instantes de Polaroid que aparecem macio, despacito noscorações colhidos em nuvens de cabeceira,
em ecos de becos e bocas costurados pelo prazer de ser o que se quer ser.

domingo, 30 de abril de 2017

dia das mulheres

no dia de hoje só consigo pensar no machismo que me fode a vida e no tanto que ele fez eu ser um idiota com mulheres. não espero aplauso por isso, não espero curtidas por isso. as vezes penso que não é possível existir mais como homem neste mundo. quero conseguir renunciar ao desejo de ter sucesso profissional, quero conseguir renunciar ao medo de ser afetuoso com outros homens, quero renunciar a estupidez, quero conseguir renunciar a prepotência, quero conseguir renunciar a insensibilidade, quero conseguir renunciar ao medo do afeto, quero renunciar a cobrança cobrança social de ser o pior tipo de macho. agradeço a todas as mulheres que me tocaram nesta vida (mãe, irmãs, tias, avó, amigas e namoradas). me envergonho por ter sido um otário em vários momentos. mais uma vez, não espero aplausos, não espero curtidas. é só um depoimento e um expurgo de mim mesmo. só agradeço a mulher que topou criar uma vida comigo: ela me mostrou a vida, me mostrou outra forma de enxergar o mundo, me mostrou outros caminhos. atravessamos dificuldades neste momento, porém, o que mais quero é poder conservar uma amizade por toda a vida com esta mulher. todas estas mulheres são minhas mestras e por muito tempo neguei, escondi isso de mim.
sinto tristeza e vergonha ao ver homens com medo de homens quando entram no banheiro, homens com medo de homens quando conversam, homens com medo de homens quando brigam. homens necessitam se impor de um jeito violento, homens se mostram muito machos por medo de se mostrarem sensíveis para outros homens. sinto raiva quando vejo homens conversando com homens. homens quando se juntam podem ser muito escrotos. mais uma vez. sinto raiva por eu ser tão insensível e medroso em tantos momentos. fodam-se os aplausos!