ei são paulo, terra de arranhacéu! da ponte pra cá é uma paulista que me deixa com receio de tocar as pessoas, que faz das articulações uma fechadura. cheguei caminhando pelo viaduto santa Ifigênia, cai nas bordas da 25 e mudando de rua passei pelo largo da memória. aqui não é salvador. cidade dura. cadê a graça da música de caetano? atravessei o chá, o municipal pra baixar no metrô da república. é clichê mas é isso, gente de todo lugar e minhas articulações continuam apertadas, trancadas. foi em vão saltar no masp, entrada cara. foi decidido que caminharia pela paulista no sentido consolação. primeiro uma mina acompanhada de um saxofonista arraza o passeio cantando rihanna. foda! depois um quarteto: uma violinista negra, um violinista cego, um cellista negro e um cantor jovem argentino e gay mandam uma ópera fodidamemte linds no meio da avenida dos patos. o cantor esbanjando sua feminilidade e a gente babando. ganhou o público! segui. subi no alto do sesc e não achei muita graça em ver um mar de prédio, prefiro o mar de água salgada ou uma montanha no meio do mato. desci correndo pra me encontrar com salvador dentro do centro cultural de um banco que andei dando calote. Era o Ilê Aiyê balançando meu coração e me transportando de volta pra Salvador. Não sou de terreiro mas saí num axé danado. Voltei por onde vim prs encontrar com a Augusta, lugar que nunca me faz sentir graça (desculpa aí habitués de lá). Cheguei na Roosevelt e só constatei um pouco mais da dureza do lugar: gente dormindo no chão, gente bebendo cerveja sem olhar no olho da gente. Saí fora, passei pela Mario de Andrade já de retorno pra estação república. Sem mais, desci na Luz pra pegar a linha azul até a Zona Norte onde dizem que a banca a forte. São Paulo é pro fortes e pro fracos. Tudo parece doer como numa canção do Itamar ou da Gal, ainda assim, fico com o Zeca Pagodinho: vida leva eu nesse 2019 de poucas esperanças na televisão e de muita gente, inevitavelmente, na rua quer queira quer não. Arre!
Não sei mais poema, música nem sistema. Não sei xadrez, não sei ser à vácuo. No mundo simbólico, sou só vacilo. No mundo agora de certas certezas incertezas, sou osso que toma ônibus, que murcha o peito de vergonha de sentir vergonha da vergonha que é ser a marca da morte do mundo. Chega de reclamar, dizem. Os sonhos, por outro lado, dizem. As bocas dizem, os bocejos dizem, as barricadas ainda existem um pouco longe de mim. Admito. Privilégios. Admito.
Demissão. Servente, serviços gerais, atendente do Centro-Oeste e Norte. Displicente, leviano, mórbido, lento. Silêncio. Cada palavra que não cabe na ação é uma hora de sono a menos. 4 da manhã. Semanas de 4h da manhã. Não importa. O problema é universal, pra que falar de si? Fuçar livros e recompor-se. Duvidar dos livros que lê. Só homens? Surrar-se. Sussurar-se. Escrever simples. Difícil. Popular. Relembrar que se é popular. Poupar-se. Não saber usar preposições. Soluçar sozinho, em duo, em grupo. Solapar. Ir solapando sem saber. Desistir e retomar. Silenciar mas também falar. Tomar posição mas também se afastar. Paradoxo ou contradição? Tudo junto? Tomar posição ou ir posicionando-se ou tudo junto? Abram-se mil ouvidos.